Em lados opostos, Atlético e Ipatinga se unem contra a arbitragem mineira
Presidente do Tigre ameaça boicotar a decisão, que começa no próximo domingo, caso não seja escalado um juiz de outro estado
20/04/2010 - 12h38
A cinco dias do primeiro jogo da final do Mineiro, as notícias de Atlético e Ipatinga vêm dividindo espaço com a arbitragem. O desempenho ruim de juízes no campeonato, sobretudo no último domingo, uniu os postulantes ao título em fortes protestos. O presidente do Ipatinga ameaçou não pôr o time em campo, e o do Atlético disse que a atuação de Ricardo Marques Ribeiro foi uma vergonha.
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O único árbitro da Fifa no quadro da Federação Mineira cometeu quatro erros graves contra o Ipatinga, que venceu o Cruzeiro por 3 a 1. O presidente da comissão de arbitragem, Jurandir da Gama Filho, defendeu o juiz:
- Tem bastante crédito. É bom, mas errou. As pessoas não podem crucificá-lo. Todos erram, e não é porque errou que ele estaria mal-intencionado. Não podemos atribuir os erros a atos de má-fé - afirmou, por telefone, antes de decidir pelo afastamento por tempo indeterminado do trio de arbitragem da partida.
O presidente do Ipatinga, Itair Machado, garante que ainda não desistiu da ideia de boicotar a decisão. Avisou que só vai pôr o time em campo caso seja escalado um árbitro de outro estado.
- O meu advogado está avaliando o que aconteceria caso o time não entre em campo. Vai me entregar um relatório, e vamos avaliar essa possibilidade. Não adianta uma equipe do interior chegar até a final, e acontecer o que está acontecendo com a arbitragem. Contra o Cruzeiro, foi o maior escândalo de arbitragem do país no momento - protestou.
Em entrevista ao "Redação SporTV", ele acrescentou que prefere cair para a Terceira Divisão do Mineiro a disputar a final com um árbitro do estado. Seu temor é que o time seja punido também em nível nacional.
- Se você escala o melhor árbitro do estado, e ele erra tanto quanto errou, é porque tem algo de estranho - afirmou o dirigente ao programa.
Alexandre Kalil, presidente do Atlético, acompanhava a partida e, por meio de seu Twitter, criticou duramente a atuação da arbitragem. Ao ser questionado sobre o assunto, agiu com ironia:
- Não me interessa este assunto. Bati muito nesse árbitro (Ricardo Marques Ribeiro) no ano passado e acho que fui injusto. Está aí a prova de que fui muito injusto. Não quero me manifestar, não. Deixa isso para lá. Quem está atacando ataca, quem está se defendendo se defende. Quem resolve arbitragem é a Federação Mineira - completou.
Para Márcio Rezende, arbitragem está estagnada
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Ex-árbitro da Fifa e atualmente comentarista da TV Globo Minas, Márcio Rezende de Freitas sente falta de um trabalho de renovação do quadro de arbitragem da Federação Mineira:
- Há tempos a situação vem ancorada nos mais antigos. É necessário um trabalho de reformulação, embasado num trabalho de capacitação e qualificação. Não é só jogá-los em campo e deixá-los ao bel-prazer do que pode acontecer. Os uniformes dos árbitros de Minais Gerais são os que devem ter mais patrocínios. Foi feita esta captação de recursos, mas não vi, até o momento, serem aplicados na melhoria e qualificação da arbitragem - analisou.
Para diminuir a quantidade de erros durante as partidas, o presidente da comissão de arbitragem defende que os juízes se tornem profissionais e sejam tratados como atletas de alto rendimento, citando estudos que mostram que um árbitro percorre em média 12 quilômetros nos primeiros 50 minutos de partida.











